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Quarta-feira, 17 de agosto de 2005
Falhas e Complicações com Próteses Fixas e Sobredentaduras Instaladas sobre 82 Implantes Emfils - Avaliação no Primeiro Ano do Tratamento Protético


Os autores avaliam, no primeiro ano de função, um grupo de pacientes, relatam as falhas e complicações observadas em diferentes tipos de próteses sobre implantes e as correlacionam a observações encontradas na literatura.
Palavras-Chave: Implante, prótese, sobredentadura.

Introdução
Os implantes osteointegrados são uma terapêutica viável para a reparação de um ou mais elementos dentais perdidos. Os problemas oriundos de sua utilização são pequenos, mas podem ocorrer tanto na fase cirúrgica quanto na fase protética.
Na fase protética, diversos autores relatam que os problemas mais freqüentes são: soltura ou afrouxamento dos parafusos de fixação da prótese ou dos abutments; mordedura de lábios, bochechas e língua; sibilação; dificuldade na fala: problemas nos tecidos moles tais como: hiperplasia gengival, úlceras, dificuldade de higienização.
Esse trabalho identifica os problemas ocorridos com diferentes tipos de próteses instaladas sobre 82 implantes Emfils®, durante o primeiro ano de função.

Materiais e Métodos
Vinte e quatro pacientes, 11 do sexo masculino e 13 pacientes do sexo feminino, com idades variando de 25 a 56 anos foram submetidos a 82 implantações. Quarenta e oito foram executadas em pacientes do sexo feminino, 32 na maxila e 16 na mandíbula, e 34 em pacientes do sexo masculino, sendo 24 na maxila e 10 na mandíbula, como mostrado na tabela 1.
Os oitenta e dois implantes receberam próteses de acordo com as tabelas demonstrativas 2 e 3.Tabela 1. Distribuição dos implantes em relação ao sexo e tipo de arco

Tipo de Arco
Feminino
Masculino
Total
Maxila
32
24
56
Mandíbula
16
10
26
Total
48
34
82

As sobredentaduras eram constituídas de uma prótese total superior retida por 2 O'Ring e 5 próteses totais, duas superiores e 3 inferiores retidas por barras clipe sustentadas por 3 implantes cada.
Baseado nas observações de Robert Weiner. Todas as próteses foram reapertadas aproximadamente 15 dias após. Em 12 dos 24 pacientes utilizou-se, para reaperto dos parafusos, um torquimetro de 30 N (Dyna Dental Engineering, Netherlland) nos demais, apenas uma chave bidigital 10 (Emfils Comércio de Produtos Odontológicos Ltda).
Após um ano da instalação das próteses, os pacientes foram examinados com base em um roteiro estabelecido por uma ficha padrão elaborada para essa finalidade . Nos que possuíam sobredentadura foram avaliadas: presença de úlceras traumáticas, hiperplasia gengival, estado clínico dos implantes, estado e eficácia do clipe de retenção ou do O'ring, condições da resina, da barra e dos abutments e afrouxamento ou perda do parafuso. Também foram considerados: mordedura de lábios e/ou bochechas, problemas fonéticos e satisfação geral do paciente. Nas demais próteses observou-se: estado clínico dos implantes, presença de fístulas, hiperplasia gengival, presença de inflamação/infecção, perda óssea, sintomas dolorosos, estado da estrutura metálica, dos componentes protéticos e dos materiais de revestimento, estética problemas articulares, oclusão, dicção, adaptação geral e mordeduras de lábios e bochechas e também, satisfação geral dos pacientes.

Resultados
Dentre os pacientes avaliados observou-se fratura do revestimento de Artglass® em 6 elementos protéticos, fatoTabela 2. Distribuição dos tipos de próteses entre os arcos.

Tipo de Prótese
Maxila
Mandíbula
Total
Unitárias
32
24
56
Fixas
16
10
26
Sobredentaduras
5
2
7
Total
24
23
36

ocorrido com 3 pacientes. Uma fratura de barra, 2 fraturas de abutments. Soltura de 8 parafusos, apresentando por 5 pacientes. Uma hiperplasia gengival, dois relatos de mordedura lingual e um de bochecha. Um relato de dificuldade de higienização e um de dificuldade fonética, conforme apresentado nas tabelas 4 e 5.

Discussão
Não foram observados nesse levantamento os índices de perda de implantes durante o primeiro ano em função como os relatados por Torsten Jemt. Tal qual Jemt, foi possível observar que o problema fonético tende a desaparecer com o tempo. Os índices de fratura de componentes e de barra clipe estão condizentes com os de outros autores. Não foi observado nesse levantamento o alto índice de soltura de parafusos relatado por Paul Binon. Concordantemente com Robert Weiner os parafusos que foram reapertados após 2 semanas de sua colocação tiveram um menor índice de soltura de parafusos. Observamos ainda que os pacientes que tiveram suas próteses apertadas com torquimento de 30N (Dyna Dental Engineering/Netherlland) tiveram um menor índice de soltura de parafusos. Dos 34 parafusos apertados com torquimento apenas 4 se soltaram, 2 abutment fraturaram contra 9 parafusos soltos que foram apertados com chave bidigital. Não notamos a maior incidência de parafusos soltos nas próteses fixas da maxila conforme relatado por Paul Binon. O problema observado com maior freqüência foi fratura do Artglass®, certamente por ineficiência da fixação química do polímero de vidro ao casquete metálico, processo denominado pela Kulzer de Kevloc.
Desconsideradas as fraturas do Artglass®, a quantidade de problemas relacionados as sobredentaduras foi quatro vezes maior do que aos relacionados as próteses fixas.Tabela 3. Distribuição dos implantes em relação aos tipos de próteses utilizados.

Maxila
Mandíbula
Total
Prótese unitária sobre 1 implante
6
3
9
Prótese unitária sobre 2 implante
4
2
6
Sobredentadura redita por "O'Ring"
2
0
2
Sobredentadura retira por barra/clipe
6
9
15
Prótese parcial fixa
24
10
34
Próteses total fixa com pilares posteriores
8
8
16
Total
50
32
82

Tabela 4. Problemas detectados nas sobredentaduras.
Maxila
Mandíbula
Total
Hiperplasia gengival
-
2
2
Perda do Clipe
1
-
1
Fratura da barra
1
-
1
Fratura da resina
1
1
2
Soltura do Parafuso
-
2
2
Mordedura dos lábios
-
1
1

Tabela 5. Problemas detectados nas próteses fixas.
Maxila
Mandíbula
Total
Fraturamento do revestimento
2
1
3
Soltura do Parfuso
2
2
4
Insatisfação estética
1
-
1
Problemas de ATM
1
-
1
Problemas fonéticos
1
-
1
Mordedura de lábios e/ou bochechas
1
1
2

Conclusão
Reabilitação dental com implantes é uma terapêutica viável. As soluções dos problemas advindos dessa opção de tratamento são, na maioria das vezes, simples. Sob a ótica dos pacientes a terapêutica é adequada e lhes proporciona um resgate do bem estar funcional, estético e até mesmo social.

Referência bibliográfica
> JOURNAL OF IMPLANT DENTSTRY
> EDIÇÃO EM PORTUGUÊS Nº8 2000-2001 páginas 32 e 33

Bibliografia
1. Torsten Jemt / Kristian Book / Benj Linden / Goran Urde: Failures and Complications in 92 consecutively Inserted Overdentures Supportes by Branemark Implants in Severely Resobed Edentulous Maxillae. A Studly From Prosthetic Treatment to First Annual Check-up - Int. J. Oral Maxillofac. Implants 1992;7;162-167.
2. Zark G. Jansson T./ Jemt T.: Other Prosthodontic Application in Branemark P-I, Zarb G. / Albrektsoson T. (eds) Tissue Integrated Protheses Osteointegration in Clinical Dentistry. Chicago, Quintessence Plub. Co., 1984pp. 283-292
3. Torsten Jemt. / Bemt. Lindém / Uef Lekholm : Failures and Complications in 127 Consecutively Placed fixe Partial Prostheses Supported by Branemark Implants: From Prosthestic Treatment to First Annual Check-up. Int. J. Oral Maxillofac. Implants. 1992;1;40-44
4. Torsten Jemt: Failures and Complication in 391 Consecutively Inserted Fixed Protheses Supported bu Branemark Implants in Endentulus Jaws: A Sudy of Treatment from the Time of Prosthese Placement to First Annual Check-up from the Time of Prosthese Placement to First Annual Check-up. Int. J. Oral Maxillofac. Implants 1991;6;270-276
5. Paul Binon / Franz Sutter / Keith Beaty / John Brunski / Harolde Gulbrasen / Robert Weiner: The Role of Screws in Implant Systems. Int. J. Oral Maxillofac. Implants 1994;9;suppl;48-63